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Arquivos por Categoria: Fundamentos das Mídias Interativas

Pesquisei sobre os autores sugeridos e encontrei um ponto comum entre a linha teórica dos três: a criação de um novo espaço, livre de fronteiras geográficas e coordenados por uma inteligência coletiva mutável.

Howart Rheingold cita muito o ciberespaço como um espaço para reconstruir os espaços comunitários do mundo físico. Também imagino que ele não venha para substituir esses espaços, mas sim para recriá-los em uma nova linguagem. Nessa nova linguagem, as comunidades se utilizam da emoção humana e da interação entre os participantes para alterar o Eu de cada um deles.

Steven Johnson conceitua essas comunidades como agrupamentos “bottom-up”, onde os participantes interagem, criam comunidades, se agrupam e ditam como serão utilizadas as regras previstas pelo software. Compara a uma rede neural, onde os neurônios não funcionam sozinhos, mas sim dependem dos outros neurônios com os quais estão conectados. Nessa mesma linha, Lévy afirma que o ciberespaço se constrói através de uma universalidade que não possui uma organização central, mas sim um sistema de desordem. Para ele é a essência paradoxal da cibercultura.

Apesar da quase inexistência do top-down no sentido de regulamentação das regras interpessoais nesse ciberespaço, Johnson reforça que a interface está tão próxima do subconsciente humano que acaba por modificá-lo. Em um dos textos que encontrei, Johnson cita o exemplo dos programas de televisão e jogos de videogame que, por estarem cada vez mais complexos, acabam tornando os espectadores/jogadores mais inteligentes. Vejo que isso seja uma evolução natural da espécie, e fico fascinado em pensar que a inteligência da espécie evolui de forma coletiva. Isso me fez lembrar que meus pais desistiram de acompanhar Lost porque acharam o roteiro “complicado demais” para eles.

Sobre essa inteligência que evolui coletivamente, Lévy diz que o que vemos é a própria cultura se transformando com o advento da internet, e não uma cultura se formando à parte do resto do mundo. Ele conceitua a inteligência coletiva como a soma das inteligências semelhantes que, pela troca, constituem uma inteligência maior que varia conforme a cultura local e a época. Lembrei-me de James Surowiecki em A Sabedoria das Multidões, defendendo que a inteligência universal formada pela soma das inteligências individuais dos participantes das comunidades (não só virtuais) é mais poderosa que a melhor das inteligências quando analisada individualmente.

Identifico-me mais com as palavras de Lévy, principalmente quando prega a construção de uma linguagem universal construída a partir do uso que se faz do ciberespaço. Sua teoria está muito ligada à web semântica, o que acredito ser o próximo grande desafio dos sistemas web. A universalização da linguagem de programação mantendo-se as particularidades de cada idioma e cultura é um desafio bastante grandioso e dialoga fortemente com a noção de ausência de barreiras geográficas promovida pelo ciberespaço.”Não havendo mais territórios na superfície do planeta para conquistar, cria-se um novo espaço para fazê-lo”, afirma. Penso que, vencido o desafio da Globalização, estamos caminhando para uma Universalização da cultura e do espaço. Fico intrigado em pensar como as particularidades culturais de cada região serão mantidas nas próximas décadas, já que o conteúdo está fragmentado por esse novo espaço.

JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
LÉVY, Pierre.Cibercultura. 2. ed. São Paulo: 34, 1999
RHEINGOLD, Howard. Smart Mobs: the next social revolution. Cambridge: Perseus Books Group, 2003.

http://www.cibercultura.org.br/tikiwiki/tiki-read_article.php?articleId=44

http://www.citi.pt/homepages/espaco/html/comunidade_virtual.html

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-19652008000200008&script=sci_arttext&tlng=pt

Fechando um pouco o conceito de interatividade e discutindo como ela se aplica na web, não dá para deixar de comentar os textos das colegas Luciane e Christine, que trouxeram raciocínios bastante ricos para a aula.

É interessante perceber como a internet evolui em ondas, e como os próprios desenvolvedores se apóiam nelas para nortear o próximo passo no processo evolutivo. Lemos na aula sobre web2.0 e como o usuário passou de “consumidor” para “produtor” de conteúdo com a implementação de pequenas funcionalidades nos sites que surgiram a partir de 2004 (YouTube, Flickr, Orkut). Lembro-me que, na época, os desenvolvedores ficavam inseguros se as pessoas realmente enviariam conteúdo para esses sites, dado o baixo índice de participação da época. Poucos anos depois, já nos vemos em um cenário onde esse conteúdo gerado pelos usuários é tão volumoso e sua organização tão caótica, que sofremos o que especialistas chamam de infobesidade. Esses dias assisti a uma palestra do Michel Lent, da agência Ogilvy, onde ele tratava justamente desse excesso de informações e de como os filtros já se tornaram indispensáveis para o consumo saudável desse conteúdo (slides da palestra disponíveis aqui: http://www.viuisso.com.br/2009/11/07/a-info-obesidade-os-atuais-desafios-da-publicidade/)

Passada a onda da web 2.0, vemos a internet caminhando para o que chamamos de web 3.0. É perigoso dizer que a web 2.0 passou, existiu ou aconteceu em determinado período de tempo. Isso porque web 2.0 é mais uma forma de pensar a web do que um reflexo na interface dos ambientes interativos. E essa forma de pensar nunca vai passar ou ser deixada para trás, e sim complementada por novos modelos mentais e novas tendências de uso. O próprio termo “web 2.0”, como afirma Luli Radfahrer, foi apenas um verbete comercial que as empresas aproveitaram para se mostrarem antenadas e por dentro das tendências. A web 3.0, por sua vez, é uma tentativa de organização semântica desse conteúdo, de forma que o próprio software navegador entenda do que trata aquele conteúdo. Pierre Levy é um dos grandes entusiastas da aplicação dessa linguagem e implementação do que ele chama de “web semântica”. Essa nova linguagem de programação semântica permite novas formas de interação na internet. A partir do momento em que o sistema “entende” do que trata cada bloco de informações, é possível economizar várias etapas na interação entre o usuário e o sistema.

Mais algumas tendências:

  • Portabilidade: a internet sendo acessada de diferentes gadgets, utensílios domésticos, aparelhos celulares, leitores de e-books etc.
  • Inclusão digital: aumenta o número de pessoas que tem acesso a internet e diminui a escolaridade média e o letramento digital médio desse público.
  • Veículos de meios tradicionais migrando para a web e fazendo dela seu principal canal de comunicação. (exemplo do jornal O Globo: http://www.youtube.com/watch?v=b_VvYkNf1ZU)

E um ponto importante, colocado pela Luciana sobre a palestra que ela assistiu de Maffesoli e Lemos, de que não basta tentar transportar o conteúdo de outros meios para a web (“esperando que as pessoas comecem a assistir Faustão pelo celular”). O importante é que o conteúdo e as interações sejam PENSADAS para a web. Vemos exemplos como o Twitter e outras redes sociais que já foram startadas sob um “raciocínio web”, e não simplesmente replicando metáforas do mundo real. Dentre os desafios para os próximos anos, acredito que esse seja o principal: desacostumar o raciocínio dos meios os quais estamos viciados.

Uma breve reflexão sobre diferentes conceitos de Interatividade.

Vejo diferentes formas de conceituar Interatividade, já que semanticamente ela pode assumir diferentes significados.

- Enquanto atividade humana
Trata de um repensar na forma de comunicação. Gosto da definição de Downes e McMillan, que listam 5 dimensões para a interatividade: 1. Direção da comunicação; 2. Flexibilidade do sincronismo; 3. Senso de lugar; 4. Nível de controle; 5. Responsividade e percepção do propósito da comunicação. Pensando dessa forma, “interatividade” pode ser aplicada a situações bem distantes dos meios digitais.

- Enquanto característica específica dos meios digitais
Segundo Jensen, interatividade é“uma medida do potencial de habilidade de uma mídia permitir que o usuário exerça influência sobre o conteúdo ou a forma da comunicação mediada.”

- Enquanto produção artística
É a transição do conceito de “espectador” para “interator”, quando o indivíduo passa a interagir com a obra de arte e provocar mudanças nela. Segundo Marchand, “emissor, mensagem e receptor mudam respectivamente de papel, de natureza e de status”.

“O algodão e o petróleo, como o rádio e a televisão, tornam-se ‘tributos fixos’ para a inteira vida da comunidade”.

Quanto à afirmação de McLuhan, julgo-a irrefutável. Imagino que se tivesse sido escrita nos dias de hoje, incluiriam a internet e o celular dentro do pequeno rol de tributos citados.

Quando McLuhan cita “tributos fixos”, imagino que esteja incluindo os meios de comunicação dentro da lista de obrigações de um indivíduo que deseja viver em sociedade. É o preço que temos que pagar por (e para) viver em uma sociedade pós-globalizada, onde o acesso à informação permeia o fortalecimento de laços afetivos, profissionais, culturais e sociais de um cidadão.

O rádio e a televisão (e o celular, e a internet) são meios cada vez mais intrínsecos na vida contemporânea em sociedade. Tanto que servem não só como veículo, mas também como fonte e combustível para as informações que vemos e ajudamos a circular diariamente. O excesso de informações e a velocidade na qual elas trafegam é tão grande e tão superior às barreiras geográficas que somente um meio definitivamente global como a internet se faz suficientemente forte e ágil para suportá-las.

Quantas vezes não nos sentimos deslocados quando ouvimos um assunto entre um grupo de amigos e não sabemos do que se trata? Em um tempo onde tudo está disponível a todos – salvas devidas proporções de exclusão digital e de acesso a informações específicas -, sentimo-nos impotentes quando vemos um assunto que está fora de nosso alcance. E isso influencia, como dito antes, a própria relação entre as pessoas. É mais difícil estabelecer uma conversa com alguém que não tem esse acesso do que com alguém que acompanha esse fluxo volumoso de informação.

No âmbito profissional, quando falamos de capital intelectual, vemos nitidamente que os profissionais mais bem informados são os profissionais mais bem reconhecidos, pagos e visados desse novo cenário. Se queremos mostrarmo-nos bem informados à sociedade e competitivos ao mercado, precisamos ter acesso e saber lidar com essa nova realidade da informação – inclusive selecionando, filtrando e compartilhando as informações às que temos acesso.

Os bens intelectuais (providos pelo rádio, internet e outros meios) serem tão importantes quanto os bens essenciais (como o petróleo e o algodão) é sintomático de uma sociedade transformada. Transformada por um sistema tecnológico tão eficiente e dinâmico que pode, para o bem e para o mal, julgar pessoas e modificar comportamentos a ponto de criar uma “nova lei de seleção natural” entre seus membros.

Potencial de integração e codificação
A digitalização dos diversos formatos de conteúdo (vídeo, áudio, texto, imagem) acaba universalizando a linguagem e convergindo nas mídias interativas. São conteúdos gerados por outras mídias que acabam encontrando um ponto comum nas mídias digitais. A popularização de sites de publicação desses conteúdos facilitou ainda mais a interação do usuário com esse novo conteúdo digital; as ferramentas de edição (de vídeo, de foto, de áudio, de texto) deram a esse usuário o poder de criador e editor desse conteúdo. Quando leio “integração”, me vem à cabeça o exemplo da possibilidade de uma pessoa leiga capturar um vídeo, editá-lo em seu computador, adicionar a ele uma trilha-sonora, publicá-lo no YouTube e compartilhar com o mundo sua criação. Isso só é possível pois os formatos são todos digitais e conversam entre si. A padronização das plataformas (computador, celular, televisão digital, notebook) permite ainda que esse conteúdo seja visto por pessoas de diferentes lugares, em diferentes situações.

Processos cognitivos
Os participantes dessa “nova era” já são treinados desde cedo a interagirem com dispositivos digitais. O próprio desenvolvimento desses dispositivos, plataformas, softwares e websites já são pensados (na maioria das vezes) para “falarem a mesma língua”, reduzindo o ruído cognitivo que um cenário multi-plataformas poderia causar. Gostei do exemplo da Christine ao citar os emoticons e provar que mesmo a Linguagem está sendo digitalizada.

Imersão dos sentidos
O prefixo de ordem é “multi”. Além do cenário ser multi-plataformas, multi-linguagens e multi-disciplinar, as experiências digitais permitem criar simulacros que envolvam diferentes sentidos humanos. Desde a visão, onde temos ambientes 3Ds ou mesmo ambientes 2Ds metaforizados (a velha metáfora dos móveis de um escritório para a organização de arquivos dentro de um computador), passando pela audição (áudio 3D, multi-canais) e pelo tato (experiências touch screen, feedback tátil, celulares e controles de videogame que vibram); cada vez mais os artifícios das mídias digitais permitem transportar uma realidade adaptada para os ambientes interativos. Claro, mantidas as devidas limitações tecnológicas dos aparelhos, limitações econômicas de acesso a eles ou limitadores sociais, como a exclusão digital. O importante é criar experiências cognitivas que sejam facilmente assimiladas pelos usuários e os tragam uma experiência agradável de interação com o ambiente digital.

Alguns links:
- Realidade aumentada: http://vimeo.com/5651466
- Ambiente 3D: http://www.hondanewfit.com.br/#/experiencia
- Serviços que interligam diferentes plataformas: http://www.apple.com/mobileme/
- Usuários recriando espaços 3D da vida real: http://sketchup.google.com/3dwh/buildingmaker.html

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