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Contexto:
O iPhone possui diversos ícones organizados em um grid dentro de sua página inicial, onde cada ícone corresponde a um aplicativo diferente que foi instalado no aparelho. É possível armazenar várias páginas de aplicativos, cada página com 16 aplicativos diferentes. Tocando e arrastando o dedo para a direita ou para a esquerda o usuário consegue navegar entre as páginas. Tocando um ícone e segurando o dedo por alguns segundos o usuário ativa o modo de reorganização dos ícones, onde eles podem ser arrastados para um lado e para o outro para serem reordenados.

Situação de uso:
Um usuário acabou de comprar o telefone e instalar alguns aplicativos, entre eles o aplicativo do Facebook, uma rede social que ele utiliza com bastante frequência. O problema é que a ordenação nativa dos ícones do iPhone é baseada na data de instalação: os primeiros aplicativos instalados ficam na primeira página, os últimos ficam na segunda, terceira etc., e o usuário pode mudar de página intuitivamente arrastando o dedo para a esquerda e para a direita. No entanto, o aplicativo do Facebook ficou na terceira página, e toda vez que o usuário deseja usar o aplicativo ele precisa mudar da página 1 para a página 2, e depois da página 2 para a página 3.

Como não há nenhuma indicação de que os ícones podem ser reordenados, o usuário se acostuma a percorrer esse longo caminho toda vez que deseja usar o aplicativo do Facebook.

Nesse caso, temos um problema de distância semântica no golfo de execução, segundo a metáfora dos golfos de Norman. O usuário sabe que seria melhor se ele pudesse reorganizar os aplicativos, mas não sabe se o sistema permite fazê-lo.

Depois de alguns dias o usuário fica sabendo que é possível, sim, reorganizar os aplicativos. Mas não sabe como executar essa tarefa. Ele tenta tocar um dos ícones e arrastá-lo para outro lugar, mas com isso acaba mudando entre uma página e outra de aplicativos.

Nesse caso temos um problema de distância articulatória no golfo de execução. O usuário sabe que a função existe, mas não sabe como ativá-la. Quando ele toca um ícone e tenta arrastá-lo, ocorre um problema de distância articulatória no golfo de avaliação. Isso porque ele pensa que assim estará arrastando o ícone, quando na verdade a resposta da interface do sistema mostra que ele apenas navegou entre as páginas.

Em um outro dia, enquanto usava o iPhone, o usuário tocou um aplicativo e deixou o dedo sobre ele mais tempo que o necessário para abri-lo. O sistema então ativou o modo de reorganização dos aplicativos: os ícones começam a tremer e a página exibe um X vermelho sobre cada um dos ícones. O usuário entende que agora ele pode apagar os ícones, pois normalmente o X vermelho é usado como indicador de “exclusão” em outras interfaces que ele utiliza o dia-a-dia.

Novamente, um problema no golfo de avaliação. O usuário não compreende o significado do feedback do sistema e acaba confundindo uma função (reorganizar) com outra (excluir).

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